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A
Raça Caracu é descendente dos animais dos troncos
Bos Tauros Ibericus e os Bos Taurus Aquitanicus,
basicamente trazidos para o Brasil pelos colonizadores portugueses.
A primeira entrada destes animais ocorreu em 1534 em São
Vicente - SP. Foram criados durante vários séculos
enfrentando todos os tipos de dificuldades como: alimentação,
doenças, clima e parasitas. Esta pressão de Seleção
Natural moldou os animais chamados crioulos (nativos), destes
foram separados os de pêlo amarelo e formado o Caracu.
Em 1909 formou-se o posto de seleção de raças
nacionais Caracu e Mocho Nacional em Nova Odessa - SP e em 1916
foi fundada a Associação Brasileira de Criadores
de Caracu e em 1939 a Associação do Mocho Nacional. |
A raça teve seu apogeu nas décadas de 30 e 40. Depois
desta época a preocupação exagerada com características
raciais e com uniformidades levou a seleção do Caracu
para um declínio produtivo. Aliado à entrada do Zebu através
de seus mestiços com as raças nativas, produziu animais
excelentes para a criação extensiva. Com a falta de conhecimento
da época, o mérito dos cruzamentos, que deveria ser das
duas raças, foi dado todo para o Zebu.
Com a consangüidade exagerada e erros primários de seleção.
o gado do IZ de Nova Odessa foi acusado de não responder mais
à seleção e em 19/11/69 foi fechada a Associação
de Criadores.
Paralelamente a este desastre oficial, criadores que acreditavam no
potencial destes animais além de preservarem o material genético,
promoveram o melhoramento, tanto para o desempenho quanto para a produção
láctea.
Sob
pressão dos criadores foi reaberta novamente a Associação
em 1980 e reconhecida oficialmente em 1983 no Paraná onde
se concentrava o maior rebanho na época.
O rebanho de Nova Odessa foi parcialmente recuperado e com a aquisição
de novo material de diversas origens formou-se o rebanho, desta
vez no IZ de Sertãozinho - SP. Com uma visão mais
prática e com metodologia, adequada o Caracu vem tendo
uma melhora acentuada em desempenho e conformação
frigorífica. |
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Atualmente, a Associação
Brasileira de Criadores de Caracu tem sede em Palmas - PR, é
formada por 210 sócios ativos em todos os estados brasileiros,
com uma população de animais registrados na ordem de 105.000
cabeças.
Possui, ainda, um Núcleo de divulgação com sede
em Ribeirão Preto - SP que é a Associação
dos Criadores de Caracu do Vale do Rio Pardo, organizadora de várias
exposições e leilões, principalmente, no sudeste
e centro oeste do país.

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O que mais chama atenção na Raça Caracu, por ser
de origem européia (Bos Taurus) é a extraordinária
adaptação ao clima tropical e sub-tropical. A seleção
Natural provocou modificações anatômicas e fisiológicas
que lhe proporcionaram as características a seguir:
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- Pêlo
curto
- Resistência
ao calor
- Resistência
a endo e ectoparasitas
- Facilidade
de locomoção (bons aprumos)
- Cascos
resistentes,tanto para solos duros quanto encharcados
- Umbigo
curto e sem prolapso
- Capacidade
de digerir fibras grosseiras
- Facilidade
de parto
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Chifre alaranjado, com saída para os lados; orelhas pequenas;
pelagem nos vários tons de amarelo, sem pêlos ou manchas
brancas; estrutura longilínea; linha de dorso plana, com pequena
inclinação na garupa; prepúcio curto; vassourra
do rabo amarela; mucosa alaranjada; e cascos claros, avermelhados ou
rajados.
Peso
Em regime exclusivo de pasto, o peso médio das vacas está
em torno de 550 a 650 kg. Tendo casos de até 750 kg. Os Touros
pesam ao redor de 1.000 kg. podendo chegar à 1.200 kg. Aos dois
anos as novilhas atingem cerca de 400 kg., existindo alguns animais
que chegam a pesar 500 kg. Os bezerros de um ano atingem uma média
de 300 kg. devido à boa habilidade materna das matrizes.
Leite
A produção em rebanhos de seleção leiteira
está em torno de 2.100 kilos por lactação (inclui
novilhas de 1ª cria) em regime de pasto com pequena suplementação.
Produz um leite com alto teor de gordura,em torno de 5%, e um extrato
seco também elevado.
Fertilidade
As fêmeas são colocadas em reprodução à
partir dos 14 / 15 meses. As vacas podem ser mantidas em reprodução
até os 16/17 anos (com casos de parição aos 21
anos) tendo aquelas mais férteis, de 11 a 13 partos.
Um touro Caracu em uma estação de monta normal serve cerca
de 50 fêmeas ou mais, com alto índice de prenhez positiva.
Docilidade
É um gado manso e dócil, o que facilita o manejo do rebanho
no campo.
Comportamento
O rebanho Caracu não fica reunido no pasto. Ele se espalha, diminuindo
a intensidade de pisoteio, possibilitando um melhor aproveitamento e
longevidade das pastagens. Nas regiões frias, o gado penetra
nas matas, consumindo folhas e protegendo-se do frio. No cerrado Brasileiro
no período de escassez de alimentos (seca), ele complementa sua
dieta com vários tipos de arbustos nativos.

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Não se pode pensar em pecuária de corte no Brasil sem
se pensar nos Zebus (Bos taurus indicus) devido ao fato de cerca de
80% do rebanho bovino nacional ser constituído de raças
zebuínas e seus mestiços.
A
este elevado valor quantitativo dos zebuínos se contrapõe
o valor qualitativo limitado em comparação com as raças
européias (Bos taurus taurus). O melhoramento animal tem importância
fundamental e tem representado bons resultados, porém a longo
prazo. Além disso, nenhuma raça, por melhor que sejam
seus atributos originais, por melhor que seja seu sistema de seleção
ou ainda, por melhor que ela possa ficar no futuro, ela não poderá
ultrapassar os resultados do cruzamento e do vigor dos animais híbridos.
Simplesmente porque cruzar não elimina, na verdade, agrega as
vantagens da seleção em várias raças.
Com
tão poucas alternativas técnologicas com a capacidade
de aumentar a produção com menor impacto possível
sobre os custos, os cruzamentos entre zebus e europeus buscando a heterose
se mostra como uma solução paupável, desde que
seja realizada para as condições geoclimáticas
e financeiras do Brasil.
É
aí que entra a raça Caracu, pois a utilização
dos touros de outras raças no Brasil é muito complicada,
pois apesar destes touros proporcionarem ótima heterose eles
não conseguem servir por seguidos anos nos trópicos; por
outro lado os touros das raças zebuinas que também são
bem adaptados as nossas condições climáticas oferecem
pouca heterose quando utilizado sobre as vacas brasileiras (normalmente
Nelore). E a utilização da inseminação artificial
mesmo com toda pressão existente hoje no mercado por menores
preços dos sêmens, não é fácil manter
os custos desta prática competitivos quando comparados com os
custos da Monta Natural.
Um
touro Caracu atinge facilmente o índice de 50 vacas/ano, com
cinco anos de utilização em média, mas podem atingir
o índice de 70 vacas/ano e oito anos de utilização.
Nenhuma outra raça taurina é capaz de atingir tais índices
em nossas condições.
Os
híbridos de duas raças e os compostos multiraciais apresentam
desempenho parecido ao do Caracu em nossas pastagens, mas sendo indivíduos
de cruzamentos, resultados da alta heterose, seus decendentes não
apresentaram desempenho semelhante. Isto é facilmente observado
no Girolando como exemplo: Animais F1 (½ Gir e ½ Holandês)
que apresentam 100% de heterose, são sempre superiores as gerações
seguintes F2 (¾ Holandês e ¼ Gir ou ¾ Gir
e ¼ Holandês) que apresentam apenas 50% de heterose. Enquanto
o Caracu em vacas brasileiras, normalmente Nelore, transmite aos seus
filhos uma heterose de 100 por cento, pois é uma raça
totalmente taurina.

Caracu
na formação de "Tricrós" e compostos
multiraciais
O
Caracu representa uma excelente opção para moderna pecuária
na formação de linhagens maternas. Nenhuma raça
européia é mais adequada que o Caracu para produzir uma
vacada rústica! Por isso, que tem vacas cruzadas Caranel (Caracu
x Nelore) está sempre satisfeito: elas produzem leite, uma cria
saudável por ano, são rústicas e de bom desenvolvimento
corporal até o desmame.
As
fêmeas Caranel, cruzadas com qualquer touro de linhagem paterna
(puros ou cruzados de duas raças) sempre produziram bons resultados.

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